Semana passada comecei a trabalhar na The Welfare of Stray Dogs, uma organização que cuida de cachorros de rua, ajudando a controlar a alta população canina de Mumbai através de esterilização e também no combate à raiva.
No primeiro dia fui ao escritório, onde as ligações não param, depois fui conhecer o canil, que fica em uma favela e tenho que ter muito sangue frio para cruzar todas aquelas ruas cheias de montanhas de lixo que muitas vezes suporto tossindo e com ânsia de vômito por conta do extremo mau cheiro gerado pelos restos de vísceras de animais recém abatidos, fezes humanas e de animais, esgoto, plástico, frutas em decomposição e tantas outras coisas que no fim são incineradas no meio da rua.
Para chegar lá ainda tenho que enfrentar 20 minutos de caminhada até a estação, depois mais 20 no trem e então os 10 últimos e mais terríveis minutos atravessando a favela até finalmente chegar.
Logo que entrei no canil segurei o choro e enfrentei a situação. Vi tantos cachorros num estado lastimoso só por conta da maldade humana, alguns com facadas nas costas, no focinho, outros que tinham tanto medo que se encolhiam quando qualquer pessoa chegava por perto mesmo que fosse para oferecer comida.
No primeiro dia fui ao escritório, onde as ligações não param, depois fui conhecer o canil, que fica em uma favela e tenho que ter muito sangue frio para cruzar todas aquelas ruas cheias de montanhas de lixo que muitas vezes suporto tossindo e com ânsia de vômito por conta do extremo mau cheiro gerado pelos restos de vísceras de animais recém abatidos, fezes humanas e de animais, esgoto, plástico, frutas em decomposição e tantas outras coisas que no fim são incineradas no meio da rua.
Para chegar lá ainda tenho que enfrentar 20 minutos de caminhada até a estação, depois mais 20 no trem e então os 10 últimos e mais terríveis minutos atravessando a favela até finalmente chegar.
Logo que entrei no canil segurei o choro e enfrentei a situação. Vi tantos cachorros num estado lastimoso só por conta da maldade humana, alguns com facadas nas costas, no focinho, outros que tinham tanto medo que se encolhiam quando qualquer pessoa chegava por perto mesmo que fosse para oferecer comida.
Labrador com deficiência física e rabugento que vive no canil.
Fora os que foram simplesmente esquecidos e passavam fome e estão em estado avançado de desnutrição. Quando vi um labrador igualzinho a Charlotte que quase não tinha pele de tanta magreza, só não perdi as forças e me ajoelhei no chão em estado de desistência porque senti uma raiva tão grande só de imaginar que alguém pudesse maltratar tanto um animal a troco de nada que me fez continuar. O canil ainda abriga animais com deficiência física e que por isso, são abandonados e deixados de lado.
Neste dia, após conhecer toda a rotina dos funcionários, fui passear com os cachorros, um por vez e durante 15 minutos.
Neste dia, após conhecer toda a rotina dos funcionários, fui passear com os cachorros, um por vez e durante 15 minutos.

Bambi, minha preferida.
Vocês não sabem o quanto isso é importante e a diferença que faz. Imaginem viver em uma gaiola durante tanto tempo sem poder sair? Então, esses poucos minutos de caminhada são a única liberdade para algum desses cachorros. Só pude caminhar no pátio que é até grande, onde vivem alguns gatos, talvez uns 20 ou 30 que também recebem comida e cuidados da organização. Quem vive solto por lá é o Prince, um mascote que deve ter uns 4 meses ou menos e sempre se joga no chão para todos os cachorros mais velhos em sinal de respeito, o problema é que ele é o mais novo e quando quer brincar quase sempre leva um susto dos mais velhos, então sobram os gatos , que também não toleram muito seus pulos, giros e mordiscadas e acabam dando patadas nele que tem o focinho cheio de unhadas.
Bom, o trabalho da WSD não é só no canil, aos domingos ocorrem os primeiros socorros e hoje acompanhei parte da equipe que realizou esses cuidados nos cachorros de rua.
Meninas da WSD tratando mais um cachorro.
Nos encontramos em frente ao Eros Cinema e o Abod, meu chefe, me levou junto com mais três funcionárias para encontrar os cachorros que estavam na lista de hoje.
Abod e velho amigo de rua.
Fomos parando em vários pontos da cidade onde tratávamos passando remédios nos cachorros que geralmente tinham problemas de pele ou nos olhos. Muitos desses animais são de moradores de rua ou pessoas muito pobres que não tem condições de cuidar, mas pelo menos dão muito carinho a eles. 

Além de todos esses cuidados, a WSD apanha os cachorros e os leva para o canil onde são esterilizados, e então devolvidos para os donos, ou para as ruas. Os cachorros que vivem no canil geralmente são os que foram retirados das ruas que rodeiam o aeroporto, o Abod me contou que muitas pessoas passam por lá e atiram neles (A TROCO DE NADA). Triste.Enfim, o trabalho não pára um dia sequer. Amanhã tem mais!
Site da WSD: http://wsdindia.org/





muito triste Dani ! mas o trabalho q vc esta fazendo é lindo !! e a última foto está incrível !
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