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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Chittorgarh

Saímos cedo de Udaipur num ônibus pequeno que levou cerca de duas horas até chegar em Chittorgarh. Como de costume, o ônibus ainda em movimento já era cercado por motoristas de riquixá esperando os próximos gringos.


 Enquanto tentávamos nos localizar na cidade e procurar um lugar pra comer, um desses motoristas não parava de insistir seus serviços. Sentamos em um restaurante baratinho onde a comida não era das melhores, e enquanto isso o motorista ansioso nos esperada na rua.
 Pois bem, comemos e não tínhamos outra opção a não ser escolher aquele pobre homem pra nos levar até o forte Chittorgarh.

                                             Martin e o nosso guia e motorista de riquixá

Chittor tem uma força impressionante, uma riquíssima história marcada com batalhas, mortes, tragédias, honra e lendas. São 281ha no topo de um monte a 180m de altura, ou seja, a vista lá de cima é linda! Chittorgarh foi construído no século 7 e, dentre tantas histórias que esse poderoso forte carrega, a que mais chama atenção é uma que aconteceu no início do século 14, quando teve seu primeiro ataque à mando do sultão Alauddin Khilji, que tinha como objetivo não apenas tomar o forte, mas também capturar a rainha Rani Padmini, dona de uma beleza lendária.


 Prevendo a derrota, Rani Padmini e mais 13 mil mulheres cometeram jauhar, um ritual de suicídio em massa como sacrifício, praticado por mulheres rajputs para escapar da desonra nas mãos dos inimigos. Cerca de 50 mil guerreiros morreram na batalha, o exército saqueou e destruiu o forte e, anos depois o neto do governante retomou tudo para a dinastia Sisodia.
Essa é só uma das tantas histórias de tirar o fôlego guardadas pelo forte. No caminho passamos por pequenos templos, vacas e macacos, muitos macacos.


Paramos no Palácio Rana Kumbha, onde nasceu Maharana Udai Singh, fundador de Udaipur, seguimos para um templo Kumbha Shyam, construído no século 15, composto de uma arquitetura simples, compacta e linda.

Seguindo sempre de riquixá, chegamos na Vijay Stambh, a Torre da Vitória, erquida também no século 15 em comemoração à vitória sobre o sultão Mahmud de Malwa.



Com 36m de altura, entalhes de deuses e deusas, a torre de longe já ganha destaque. Martin subiu no alto enquanto eu fotografava uma família de macacos que estava bem à vontade sob uma árvore. Mas uma das coisas mais lindas do forte é o Gaumukh Reservoir, alimentado por uma nascente subterrânea.

De lá seguimos até o palácio da rainha Rani Padmin, aquela que teve sua beleza como maior responsável pela primeira batalha de Chittorgarh.

 Andamos por um jardim, subimos na torre que tem vista para o lago que ilha outra parte do palácio. Descemos no lago e encontramos um grupo de dança que foi até lá tirar umas fotos. lindos, lindos, lindos!!

 Ainda encontramos um pastor de cabras bem  simpático, mas que carrega traços sofridos no rosto.


Em frente ao Palácio encontramos algumas lojinhas de roupas típicas do Rajasthan. Um menino veio correndo até mim perguntando de onde eu era, se gostava da Índia, me apresentou sua família e mostrou um casal que tirava fotos com um camelo todo enfeitado.

 Seguimos para templo jainista e terminamos o dia num penhasco que tinha uma vista linda e tranquila.



De noite pegamos o ônibus de volta à Udaipur, estava lotado, demorou, mas chegamos bem.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

curiosidades: Os Taxistas

Aqui em Mumbai os táxis são extremamente baratos, o que faz com que as pessoas os utilizem o tempo todo. Rodando uma hora pela cidade é capaz de sair por 8 reais. O problema é que quando os taxistas veem turistas eles não enxergam um ser humano, mas sim uma nota de dólar ambulante com mochila nas costas, então, uma corrida que sairia normalmente 20 ou 30 rúpias, eles cobram 250 na cara de pau. Se pedirmos para usarem o taximetro muitos vão negar, então lá vamos nós mais uma vez tentar outro táxi. Quando um ou outro aceita usar o taxímetro é melhor tomar cuidado! Ainda não captei o sistema de bandeira 1 ou 2 por aqui, não existe um botão visível no taxímetro, mas já percebi que quando alguns taxistas trocam a marcha e sutilmente apertam em um botão, o valor quase triplica!! Esse é mais um dos estresses na Índia, precisamos tomar cuidado em qualquer situação para não sermos roubados. Dia desses estava indo me encontrar com Martin e aconteceu uma situação dessas, de 16 rúpias o taxímetro pulou para 40 e, quando questionei ao taxista ele deu uma risadinha sem graça "eh..hehe..pois é", mas acabei pagando 20 pela corrida. O melhor a fazer mesmo é pegar os taxis antigos que tem taximetros mais velhos e mais confiáveis pois o preço tem que ser conferido na tabela.
Outra situação engraçada é que várias vezes você fala ao taxista onde quer ir e ele simplesmente diz que não vai. Acontece o tempo todo!
Muitas vezes também, após uma loooonga conversa para combinar o preço, o taxista decide nos levar pelo valor X, mas quando chegamos no local ele diz "é X pra cada", hahaha, incrível! mas nessa nunca caímos, só rimos e vamos embora.
Nas outras cidades indianas que conhecemos, os preços, apesar de serem mais baratos que os do Brasil, ainda são mais altos que os de Mumbai. Os riquixás também seguem esse mesmo sistema de extorsão, portanto, é melhor ficar atento! Muitos motoristas também tentam oferecer uma visita a um bazar ou uma loja de um amigo, mas é melhor nunca aceitar pois, nessas lojas são cobrados preços absurdos e assim os motoristas ganham uma boa comissão.
Então, ao contrário do que muitos pensam, a Índia não é tão barata assim e sempre, sempre mesmo terá alguém tentando tirar muito dinheiro, principalmente de turistas.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Udaipur - city palace

O lago Pichola abraça Udaipur, mas este não surgiu naturalmente e sim pelos braços dos súditos do Maharaja Udai Singh que, em meados do século 16, resolveu criar um lago que banhasse os palácios.
Esta série de palácios começou a ser construída em 1559 e as picaretas só foram largadas no século 20, passando por 76 gerações.
Percebemos que em Udaipur as pessoas são bem mais tranquilas, não são insistentes como os de Maharashtra e nos dão mais espaço, aliás, entendam que em um país com mais de um bilhão de pessoas, espaço, silêncio e sossego passam longe.


Ao seguimos para o palácio, dois canhões à beira dos portões nos davam as boas vindas.


Mal havíamos cruzado as fronteiras e já nos deparamos com as impressionantes construções feitas por verdadeiros artistas que transformavam todo aquele material duro e rujo em minúcias. Muitas pinturas delicadas estão espalhadas pelas paredes e portões. Cavalos, camelos, elefantes e muitas flores serviram de inspiração.

Algumas lojinhas de souvenirs, um restaurante, um jardim com pequenos chafarizes e uma bela vista de Udaipur pode-se aproveitar antes de realmente colocar os pés no pátio do palácio.
Assim que entramos, seguimos pelos degraus rodeados de paredes estampadas com azulejos muito coloridos. Lendo e vendo um pouco da história do lugar, passeamos pelas salas, quartos e todos os aposentos que puderam ser-nos apresentados. Mais uma vez venho escrever a palavra delicadeza, acho que é a que mais se adéqua a esse lugar, assim como a riqueza de detalhes que muitas vezes confunde nossos olhos que se perdem ao meio de tantas novas cores, traços e formas. Infelizmente não temos fotos do interior do palácio, pois precisávamos pagar para entrar com as câmeras e decidimos guardar essas imagens na memória, além disso, vocês sabem, somos estudantes e as rúpias nos nossos bolsos precisam ser economizadas.


Nosso passeio pelo interior do palácio durou mais que uma hora, depois ainda descemos para outra parte do complexo que fica à beira do lago, onde há outra vista da cidade, também mais jardins e até um campo onde um time de críquete era super incentivado por uma torcida de meninos. Da beira pudemos ver os tons de laranja refletidos pelo sol no Jag Niwas, o palácio construído entre 1734 e 1751 como local de veraneio, mas que agora é um hotel e também serviu de filmagem para o filme do 007, Octopussy.
Depois dessa tarde fomos até um dos portões da cidade que dão acesso à uma das várias escadarias à beira do lago por lá espalhadas. Dividindo o espaço com alguns turistas, indianos e até vacas, vimos o sol se pôr.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

pausa para Neruda


Morre lentamente,
quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente,
quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.


Morre lentamente ,
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente,
quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente,
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e
os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente,
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece,
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.


Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.

Pablo Neruda

Udaipur e o templo Jagdish Mandir

Neste fim de semana viajamos até Udaipur, cidade que alguns devem conhecer pelo filme Octopussy do 007 (exibido diariamente em quase todos os bares da cidade), mas não é por isso que muitos turistas se movem até lá e sim pela fama que ela tem de ser a Veneza do Oriente.
Saímos de casa às 17h e pegamos um táxi até o lugar que deveríamos pegar o ônibus, levamos quase uma hora para chegar até lá. Aqui não existem rodoviárias, mas sim alguns pontos da cidade onde se reúnem várias agências de viagem, quiosques bem pequenos mesmo onde só há um funcionário e um computador. O problema é que o ônibus não tem lugar fixo para estacionar, aliás, ele não estaciona, simplesmente para onde consegue por um ou dois minutos, o passageiro mal coloca os pés pra dentro e já vai embora. Bem, por causa disso ficamos meio perdidos, além do atraso de meia hora do nosso ônibus.
Depois dessa primeira maratona só para conseguirmos entrar no ônibus, começa a tentativa de sair da cidade, levamos cerca de duas horas até chegar à estrada e, como o trânsito geralmente é caótico, então imaginem no fim da tarde o terror que é para um motorista.
Nossa viagem durou 16 horas e só paramos duas vezes para comer alguma coisa e ir ao banheiro. A paisagem que vimos da janela era linda, cheia de montanhas que eram cortadas pela estrada, campos e quase nenhum rio ou lago.
Chegamos quase meio dia em Udaipur e foi só pisar fora do ônibus que aquele monte de motoristas de riquixá voaram até nós oferecendo seus preços absurdos por uma corrida de 10 minutos até o centro. Chegavam a nos oferecer 100 rúpias, mas conseguimos por 40 o que em Mumbai seria 10 no máximo. Quando entramos no hotel vimos que ele ficava na beira do lago Pichola, romantismo puro, e tinha uma vista muito linda. Logo largamos nossas coisas, tomamos um banho e saímos para conhecer a cidade. Como Veneza, Udaipur é cheia de ruelas com subidas e descidas, becos onde os desatentos facilmente podem se perder.
A rua principal de Lal Ghat, bairro central da cidade, é cheia de lojinhas vendendo sáris super coloridos, lenços, tapetes, pequenas esculturas, muitas bolsas, agendas e sapatos de couro.

Na mesma rua está localizado o templo hindu Jagdish Mandir, que é dedicado ao Deus Vishnu, preservador do universo. Aos pés da escadaria, mulheres sentadas no chão vendem flores a serem oferecidas ao Deus e algumas vacas que por ali passeiam sempre são agraciadas com comida. Subindo todos esses degraus, vemos dois grandes elefantes de pedra, lindos.

Depois de deixar nossos chinelos na entrada, rodeamos o templo para ver os entalhes que quase parecem uma renda, dada sua a delicadeza composta por bailarinos, elefantes, cavaleiros, músicos, certamente hipnotizando a todos que observam.

Correndo por entre o templo, os vários esquilos sempre encontram comida farta, já que muitas das oferendas são grãos de milho ou arroz.

Quem não tem a mesma sorte são os mendigos, cegos e deficientes que ficam pedindo algumas rúpias, mas quando percebem que são estrangeiros que se aproximam, o valor triplica. Dentro do templo, no santuário, encontra-se uma imagem de pedra preta de Vishnu, muito calmo e sereno. O templo ainda tem o teto decorado e pilares delicadamente esculpidos.

O pináculo tem 79 metros de altura, então, sem dúvida, domina o horizonte de Udaipur. Este templo, construído por Maharana Jagat Singh no século 17 é uma obra prima, encantador, de uma tranquilidade infinita e certamente um presente à Udaipur.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Trabalhando com cachorros

Semana passada comecei a trabalhar na The Welfare of Stray Dogs, uma organização que cuida de cachorros de rua, ajudando a controlar a alta população canina de Mumbai através de esterilização e também no combate à raiva.
No primeiro dia fui ao escritório, onde as ligações não param, depois fui conhecer o canil, que fica em uma favela e tenho que ter muito sangue frio para cruzar todas aquelas ruas cheias de montanhas de lixo que muitas vezes suporto tossindo e com ânsia de vômito por conta do extremo mau cheiro gerado pelos restos de vísceras de animais recém abatidos, fezes humanas e de animais, esgoto, plástico, frutas em decomposição e tantas outras coisas que no fim são incineradas no meio da rua.
Para chegar lá ainda tenho que enfrentar 20 minutos de caminhada até a estação, depois mais 20 no trem e então os 10 últimos e mais terríveis minutos atravessando a favela até finalmente chegar.
Logo que entrei no canil segurei o choro e enfrentei a situação. Vi tantos cachorros num estado lastimoso só por conta da maldade humana, alguns com facadas nas costas, no focinho, outros que tinham tanto medo que se encolhiam quando qualquer pessoa chegava por perto mesmo que fosse para oferecer comida.
Labrador com deficiência física e rabugento que vive no canil.
Fora os que foram simplesmente esquecidos e passavam fome e estão em estado avançado de desnutrição. Quando vi um labrador igualzinho a Charlotte que quase não tinha pele de tanta magreza, só não perdi as forças e me ajoelhei no chão em estado de desistência porque senti uma raiva tão grande só de imaginar que alguém pudesse maltratar tanto um animal a troco de nada que me fez continuar. O canil ainda abriga animais com deficiência física e que por isso, são abandonados e deixados de lado.
Neste dia, após conhecer toda a rotina dos funcionários, fui passear com os cachorros, um por vez e durante 15 minutos.
Bambi, minha preferida.
Vocês não sabem o quanto isso é importante e a diferença que faz. Imaginem viver em uma gaiola durante tanto tempo sem poder sair? Então, esses poucos minutos de caminhada são a única liberdade para algum desses cachorros. Só pude caminhar no pátio que é até grande, onde vivem alguns gatos, talvez uns 20 ou 30 que também recebem comida e cuidados da organização. Quem vive solto por lá é o Prince, um mascote que deve ter uns 4 meses ou menos e sempre se joga no chão para todos os cachorros mais velhos em sinal de respeito, o problema é que ele é o mais novo e quando quer brincar quase sempre leva um susto dos mais velhos, então sobram os gatos , que também não toleram muito seus pulos, giros e mordiscadas e acabam dando patadas nele que tem o focinho cheio de unhadas.
Bom, o trabalho da WSD não é só no canil, aos domingos ocorrem os primeiros socorros e hoje acompanhei parte da equipe que realizou esses cuidados nos cachorros de rua.
Meninas da WSD tratando mais um cachorro.
Nos encontramos em frente ao Eros Cinema e o Abod, meu chefe, me levou junto com mais três funcionárias para encontrar os cachorros que estavam na lista de hoje.
Abod e velho amigo de rua.
Fomos parando em vários pontos da cidade onde tratávamos passando remédios nos cachorros que geralmente tinham problemas de pele ou nos olhos. Muitos desses animais são de moradores de rua ou pessoas muito pobres que não tem condições de cuidar, mas pelo menos dão muito carinho a eles.
Além de todos esses cuidados, a WSD apanha os cachorros e os leva para o canil onde são esterilizados, e então devolvidos para os donos, ou para as ruas. Os cachorros que vivem no canil geralmente são os que foram retirados das ruas que rodeiam o aeroporto, o Abod me contou que muitas pessoas passam por lá e atiram neles (A TROCO DE NADA). Triste.Enfim, o trabalho não pára um dia sequer. Amanhã tem mais!
Site da WSD: http://wsdindia.org/

sábado, 28 de janeiro de 2012

mãos queimadas

Lembram do filme “Quem quer ser milionário”? Neste filme uma das histórias era a de algumas crianças que tiveram os olhos queimados com ácido e depois foram jogadas nas ruas para mendigar, ganhando assim mais dinheiro, já que impressionavam quem passava por elas. Nessas semanas que tenho vivido em Mumbai eu quase não quis acreditar, mas comecei a reparar que um sistema parecido acontece de verdade por aqui, são as crianças com as mãos queimadas. Logo que chegamos Martin e eu descobríamos Mumbai e por isso andávamos o dia inteiro, foi num dia desses, em uma avenida movimentada, tentando atravessar o sinal no meio do caos que um senhor veio rapidamente na nossa direção, percebi que ele carregava alguma coisa enrolada em uma tipóia e foi aí que eu vi que ele segurava um bracinho estendido, a criança estava toda enrolada e só via aquela mão queimada, não sei se com ácido ou água fervente. Foi uma das cenas mais absurdas que já vi na vida, eu quase não consegui acreditar e aquela cena me perseguiu a semana inteira. Dias depois Martin veio me contar que mais uma vez tinha visto a mesma situação e não tinha certeza se era o mesmo homem, pois ele estava longe daquele lugar, mas as semanas foram passando e eu vi que aquela situação podia ser vista em várias esquinas, ontem mesmo estávamos no táxi indo ao cinema e um senhor chegou encostando a mão de um desses bebês no vidro.
Imaginem o sangue frio dessa gente que consegue fazer uma coisa dessas, eu realmente não consigo imaginar essa dor, olha que até tentei, lembrando que até um café quente machuca a boca quando tomamos sem querer, então pensem na dor que essas crianças devem sentir. Realmente impressiona e é mais uma dessas situações que estamos atados sem poder fazer absolutamente nada.