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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

natal

Esses dias passados estivemos em Ravensburg para o natal, onde fomos visitar a mãe do Martin e ganhar mais uns quilos. Chegamos por volta do meio dia e logo fomos almoçar, ela fez Käsespätzler (massa com queijo e cebolas), uma comida da região. Depois passamos o dia em casa descansando da viagem de 4 horas que tínhamos feito e quando acordamos, lá fomos nós comer de novo. Dessa vez foram uns biscoitos natalinhos que o povo por aqui tem o costume de fazer em casa, são muito gostosos, um dos mais tradicionais é essa estrelinha de canela.

Mais tarde abrimos um vinho e enquanto bebiamos, Martin e a mãe dele cantaram umas duas musicas de natal (cantar músicas natalinas é tradição), enquanto eu ficava lembrando das mesmas, só que em português. Então logo trocamos os presentes, eu ganhei tanta coisa que até fiquei com vergonha de não ter dado tantas também. Um dos mais legais foi um jogo de memória com figuras arte que o Martin me deu.


Na manhã seguinte fomos ver uma missa católica, apesar de a mãe do Martin ser de outra religião, acho que se parece no Brasil com a igreja Batista. Vimos só a última meia hora pois pensávamos que começava às 11h, mas na verdade era às 10h.
Depois disso fomos passar o dia em Friedrichshafen, uma cidade que eu adoro aqui na Alemanha. Lá foi inventado o zepelim, então é comum ver o tempo todo um ou outro voando por lá, pena que os passeios são bem caros, por volta de 250 euros cada meia hora.

A orla da cidade é bem bonita, tem uma vista linda para os alpes austríacos. Friedrichshafen fica ao norte do Lago de Constança e este, divide a Alemanha, Áustria e Suíça. O tempo todo as balsas atravessam o lago para lá e para cá.
No fim do dia voltamos para Ravensburg, mas antes passamos na casa do avô do Martin, eu não o conhecia ainda.
Logo que chegamos a tia do Martin nos trouxe inhos de natal e café, então enquanto comíamos, os três conversavam e eu ouvi as incríveis histórias que o Opa (avô em alemão) contava. Ele é ex soldado da segunda guerra e é a segunda vez que eu tenho a oportunidade de conversar com uma pessoa dessas na Alemanha. É incrível como essa parte da vida foi tão intensa que eles sempre, sempre chegam logo falando de como as coisas aconteceram.
O Opa nos contou algumas histórias como quando esteve na Rússia e teve que andar 80km no frio, ou quando viu Hitler e Mussolini na Romênia. Ele também lutou na Polônia, República Tcheca e tantos outros países, como ele mesmo disse, ele rastejava por esses lugares. Me arrepiei toda de ouvir todas as coisas que ele falava.

Esta foto abaixo mostra o Opa nos tempos da guerra.

Depois dessa visita, voltamos pra casa, jogamos alguns jogos e tabuleiro e fomos dormir.
No dia seguinte, no fim da tarde, fomos visitar o Mathias e a Janina, amigos do Martin desde o colégio.

Martin estava gripado e nessa noite começou a ter febre, então ficamos mais um dia em Ravensburg e só na quarta saímos de lá.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mercado Natalino e Maggi

Aqui na Alemanha é possível viver todo aquele clima natalino que nos é ensinado desde pequenos. O pinheiro enfeitado na sala de casa, o velhinho vestido de vermelho que distribui presentes, as comilanças mega calóricas que só são servidas nessa época e tantos outros detalhes que muitas vezes não fazem o menor sentido para a região em que moramos, mas que ainda assim é gostoso compartilhar com tantas famílias que se preparam de forma similar ao redor do mundo.
Ontem mais uma vez fomos ao mercado natalino no centro de Frankfurt, por causa do horário (passadas 18h), estava super lotado e mal conseguíamos caminhar. Muitas pessoas paravam nas tendas de doces e principalmente nas de crepes. Gosto bastante de ver os enfeites que são sempre muito delicados, as luzes também dão um clima todo especial ao lugar. No caminho Martin decidiu comprar um gorro pois havia perdido o dele essa semana, então paramos em uma barraca e quando perguntamos o preço um senhor nos respondeu "diez euros", então descobrimos que ele era do Equador e pelo jeito estava com a família aqui na Alemanha. Gosto de conversar com essas pessoas que arriscam tudo para sair de um extremo a outro, assim como também gosto muito de saber da vida dos moradores da região visito, apesar de que muitas vezes é difícil entender certos costumes, é preciso simplesmente aceitá-los.

Caminhando mais, achamos uma loja da Maggi, a marca de produtos alimentícios. Em 2010 eu já
havia passado em frente à fábrica que fica em Singen. Essa loja que encontramos é bem legal, tem vários produtos e um restaurante onde pode-se comer sopas, massas e qualquer coisa feita com produtos da marca. Também tem uma área onde são oferecidos cursos de gastronomia, não sei quanto custam, mas seria legal fazer um. Quando passamos lá até vimos um grupo de cerca de 15 pessoas cozinhando. A loja também vende umas lembrancinhas antigas da marca, acabei comprando uma sacolinha de tecido por 1 euro e uma maionese com curry que vou mandar para Manaus.
Lembra da galinha azul da Maggi? Aqui ela não existe e eu sempre fico triste quando lembro disso, é inevitável não lembrar dela e do pintinho dançando no comercial quando entra a assinatura "Maggiiii, o caldo nobre da galinha azul"

Depois de todas essas voltas, fomos até o Schauspielhaus onde teria um show de graça, mas como acabamos chegando em cima da hora e não tinham mais lugares disponíveis, então, logo voltamos para casa.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

monocromia e Commerzbank

Nunca fui de confiar muito na previsão do tempo e aqui mais uma vez os metereologistas estavam errando. Era prometida a neve há dias e só chovia, todos os dias e o dia inteiro, até que na madrugada de terça ela realmente veio. Acordei e vi pela janela a cidade toda branquinha, ao amanhecer (por volta das 8h da manhã) os flocos de neve caíam mais uma vez e com força. Quis ir até a rua para ver a cidade monocromática, mas no fim Martin saiu cedo e levou a única chave que temos, então tive que ficar em casa até 12h, depois nos encontramos na estação de Frankfurt para comermos alguma coisa por perto. Fomos então ao prédio da Commerzbank, o segundo mais alto da Europa. Foi construído entre 1994-97 e até 2005 era o mais alto da Europa, até que então o Palácio do Triunfo, um arranha-céus construído em Moscou, superou esse recorde. O prédio é bem bonito, tem uns andares só de jardins e à noite é iluminado por luzes amarelas. Infelizmente só pude ficar no térreo, onde almoçamos, mas Martin conhece todo o lugar, já que ele trabalha também no Commerz. É engraçado ver que em qualquer esquina é possível achar o Commerzbank e seu nome é bem presente em toda a cidade. Aconteceu que o Dresdner Bank foi comprado pela Commerzbank em 2008, o problema é que isso foi pouco antes da crise financeira, dificultando então bastante sua situação. A Alemanha tem hoje em dia participação de 25% no banco e só assim ele pôde manter-se em pé durante a crise. O banco ainda continua com as pernas bambas e, se o banco não conseguir um capital adicional necessário até o próximo verão, pode vir a ser nacionalizá-do.
Depois do almoço Martin voltou para o banco e eu para casa, a neve já estava derretendo e chuviscava o tempo inteiro. A neve pode ser linda quando vista da janela, quando ela começa a derreter tudo fica escorregadio e sujo. Hoje ainda não, pois só nevou um dia, mas lembro que em 2010 o inverno em Tübingen tinha sido bem forte e aquela neve toda dificultava fazer qualquer coisa.
Acho que esses dias estive esperando tanto pela neve apenas por saber que mal terei tempo de deixar minhas pegadas nos flocos acumulados, já que finalmente compramos nossas passagens para a Índia para o dia 3 de janeiro, então, o verão se aproxima. Espero que neve no natal, apesar de que os metereologistas afirmem que não.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Oper Frankfurt

Este é a Schauspielhaus, construída entre 1959-63 e que agora comporta o Teatro Municipal e a nova Ópera de Frankfurt (a antiga continua somente apresentando concertos). Anualmente grandes críticos internacionais escolhem a "Casa de ópera do ano" e a de Frankfurt já levou o primeiro lugar diversas vezes, inclusive em 2011.
O espetáculo que vimos foi escolha do Martin, que já tinha visto o mesmo pela internet e se chama Die Fledermaus, foi composto pelo austríaco Johann Strauss.
Martin eu nos encontramos na estação de trem e paramos para comer qualquer coisa e acabamos em um restaurante chinês e depois bebemos um café com muffin de limão na estação. Quase atrasados, tivemos que correr pra chegar antes que as portas fechassem e, por meio minuto, não perdemos o primeiro ato.
Primeiro a orquestra começou a tocar, o poder de cada instrumento, a leveza e força com que o maestro conduzia cada um daqueles músicos era impressionante. Logo depois as cortinas se levantaram e a opereta começou. No começo eu acabei entendendo melhor o que acontecia, acho que pela maior concentração que tive em cada palavra em alemão que era cantada, mas obviamente de vez em quando acabei cochichando no ouvido do Martin pedindo uma tradução ou outra.
Copiei um resumo da Wikipedia sobre a história :

"As vésperas de um baile na residencia do príncipe Orlofsky, o barão deve se apresentar na prisão para cumprir oito dias por desacato a uma autoridade. Seu amigo, Dr. Falke, o convence a não se entregar naquela noite e ir ao baile. No ano anterior Falke, vestido de morcego, foi vitima de uma brincadeira de Eisenstein e abandonado, fantasiado e embriagado, em uma praça publica, virando motivo de chacota da população local pela manhã. Secretamente Falken convence a empregada, Adele a ir ao baile também, e depois a mulher de Eisentein, Rosalinde, para ir com uma máscara. Os proximos dois atos contam os encontros e desencontros dos personagens no baile e depois na delegacia de policia."

O conjunto todo foi bem bonito, ficamos com vontade de voltar mais vezes e assistir a outros espetáculos. O que mais queríamos e já tem os ingressos esgotados é Otello (Giuseppe Verdi) , então talvez consigamos assistir Tosca (Giacomo Puccini). O problema é que, apesar de os ingressos não são serem tão caros (nos lugares em que estávamos), queremos fazer outras atividades culturais pela cidade, estamos conseguindo fazer quase que uma por dia. Esta semana ainda temos planejado dois museus e um concerto de músicas populares alemãs, espero mesmo que tenhamos tempo e dinheiro pra isso tudo.
Quem quiser ver mais fotos e ter outras informações sobre a opereta pode conferir aqui.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Deutsches Filmmuseum

Frankfurt é uma cidade carregada de museus, teatros, cinemas e diversos tipos de arte, o problema é que tenho que correr contra o tempo para aproveitar o máximo, então, domingo resolvemos ir ao museu alemão do cinema, que fica no centro e é ao lado do museu de arquitetura e bem no centro. Logo na entrada já fiquei babando pelo acervo que começou com o roteiro original de Casablanca,

andando mais um pouco vimos o background original de Mogli o Menino Lobo, criado em 1967 e por causa dessa cena passei o dia cantarolando:
"Eu uso o necessário Somente o necessário O extraordinário é demais Eu digo necessário Somente o necessário Por isso é que essa vida eu vivo em paz...lálálálá..."

Ainda no saguão de entrada é possível sentar-se em uma poltrona com o encosto em forma de máscara e assistir a techos de filmes projetados em uma ampla parede.

Logo atrás há um café com uns bolos e tortas bem atraentes, por isso decidimos comer um cheesecake de chocolate que estava tão, tão gostoso que eu até lembrei do trecho de um filme angolano, o qual obviamenete esqueci o nome, onde um velho diz para uma criança "você tem que comer bem devagar e sentir todas as cores"

No primeiro andar do museu descobrimos de forma interativa a pré-história do filme, passando pela ilusão de ótica. Pudemos manusear e brincar com caleidoscópios, fenacistoscópios, câmeras obscuras (inclusive uma enorme que podíamos entrar), assistimos a vários filmes que marcaram o início do cinema, passando pelos irmãos Lumière, Méliès, Skladanowsky e outros.

No segundo andar pude sentir um pouco dos apuros em que a Tenente Ripley se meteu no espaço quando vi o tão asqueroso Alien na minha frente.

Lá também pudemos interagir com a parte sonora, havia uma tela a qual continham alguns filmes e nós encaixavamos a melhor trilha ou então brincávamos de aumentar ou diminuir os efeitos sonoros, os diálogos, a trilha, etc. O mais legal foi encaixar o suspense da trilha de Psycho em uma cena de Lost in Translation. Ainda vimos materiais originais de Metropolis, um storyboard do Psycho, uma estatueta do Oscar, um dos bonecos usados no Estranho mundo de Jack e tantas outras curiosidades.
O museu ainda conta com uma sala de cinema a qual projeta filmes de diversos gêneros, desde curtas alemães aos atuais hollywoodianos.
Achei que a parte técnica da pré-história do cinema foi bem rica e a possibilidade de interagir com parte do acervo tornou a visita muito mais interessante, mas esperava bem mais da história do cinema, até mesmo o alemão, que ficou resumido a uns poucos materiais do Metropolis. Mas ok, foi gostoso poder sentir de perto um pouco da evolução cinematográfica.

e quem quiser dar uma olhada no site: http://deutsches-filminstitut.de/

Handkäse

Sábado fomos encontrar o Steffen, amigo de colégio do Martin que morou 5 anos no Japão, já estudou na China e acabou vindo estudar em Frankfurt. Ele nos levou em um bar típico de Frankfurt, com longas mesas e bancos de madeira, muitas pinturas que se estendiam ao longo das largas paredes e que contavam um pouco da cidade de séculos atrás.
Decidimos beber Apfelwein (vinho de maçã) que é típico da região. Em todos os lugares o vinho é servido nessa jarra e geralmente também se pede água com gás e no copo fazemos a mistura, assim o sabor não fica tão forte. Para comer pedimos Handkäse, um queijo da região de Hesse que é feito com leite azedo e por isso tem gosto e cheiro muito intensos, mas é muito gostoso. Em cima colocam-se cebolas picadas ou em rodelas e o molho é feito com vinagre e óleo, é também acompanhado com uma fatia de pão e manteiga. O mais engraçado é que no cardápio há a opção do Handkäse Musik ou somente o Handkäse, a "música" significa se é com ou sem cebolas, já que as cebolas fazem as pessoas terem gases, consequentemente, soltam música.
Depois ainda dividi uma salada com Martin e o Steffen comeu Blutwurz (salsicha de sangue) com Sauerkraut (chucrute).
A noite foi boa, pude conversar um pouco mais em alemão, passear pela vida noturna da cidade, ter mais uma experiência gastronômica e esquecer que do lado de fora o frio começa a querer castigar.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

dia 1


Fim de outono e início de inverno em Frankfurt. O clima é aquele deprimente de sempre, chuvoso e com muitas nuvens.
Logo que acordamos saímos para comer alguma coisa e Martin quis ir até um restaurante australiano. Acabei comendo só umas saladas e minha comida alemã preferida (apesar de estar em um lugar australiano), Maultaschen. De lá fomos caminhando até o consulado indiano pra que eu desse entrada no visto, lá preenchi toda aquela papelada e paguei a taxa que foi de quase 100 euros, acho que em duas semanas já tenho tudo ok para viajar. Então fomos finalmente para a rua comercial passear pelas vitrines da Zara, Levi's, H&M e mais uma vez ver a cidade enfeitada para o natal. Com muito esforço é possível identificar um ar aconchegante por aqui, apesar de tantos prédios, todos os bancos e essa gente que parece que usa terno até pra dormir. Engraçado é que até o Martin entrou no clima da cidade, ontem o primeiro lugar que ele me levou foi o prédio do Commerz Bank e falou de toda a crise que o banco enfrenta. Ainda passamos pela praça onde há dezenas de barracas com ocupantes que protestam contra o sistema financeiro internacional. Chegamos a conversar com um deles que foi muito simpático conosco e nos levou pra conhecer a tenda onde todos se reúnem pra discutir sobre o tema e conhecer um pouco do acampamento.

tenta que fomos conhecer onde diz "Eles especulam sobre nossas vidas"

Passamos o dia caminhando pelo centro e fizemos algumas compras, uma delas foi esse par de sapatinhos de rubi que depois vou testar bater os calcanhares e dizer "não há lugar como o nosso lar" e me transportar até Manaus.


No início da noite voltamos pra casa e agora Martin não pára de estudar hindi, acho que vou aprender um pouco também.
Até mais!

Hallo Frankfurt!


...quase 5 meses depois, cá estou eu de volta. Dessa vez ficarei mais dias aqui e não terei só uma curta passagem pelo aeroporto como das outras vezes. O Martin começou alguns meses atrás a trabalhar no Commerz Bank daqui, por isso teve que sair de Tübingen, cidadezinha no sul da Alemanha onde já moramos.
Depois de todo aquele sufoco no voo, de esperar mais de meia hora pelas minhas malas na esteira, finalmente nos encontramos. Sempre é uma sensação estranha, a final, namorar com uma tela de computador por meses e depois nos encontrarmos pessoalmente, é sempre ruim, mesmo não sendo a primeira vez.
Do aeroporto seguimos para o centro, onde deixamos as malas e fomos direto para o mercado natalino dar uma olhada nos doces e nas lembrancinhas fofas que tem. Martin assim que chegou comprou um quentão, depois fomos procurar alguma coisa pra comermos, mas se não era fritura, era qualquer coisa de porco. Resolvi comer um milho com manteiga de ervas, mas não era muito gostoso, acabei jogando fora a metade. Martin comeu Kartoffelpuffer, que é batata ralada e misturada com ovos, leite e mais algumas coisas que juntas fazem um bolinho que é frito e dá pra comer com purée de maça ou creme de queijo com ervas. Depois ainda comemos um bolinho que parecia o nosso bolinho de chuva, mas era mais duro e menos doce, só que esse tinha cobertura de calda de chocolate com castanha, bem gostoso.
Ainda passeamos bastante pelas barraquinhas natalinas e depois voltamos pra casa e dormimos, eu, exausta!
Como não levei a câmera, volto no mercado outro dia e posto aqui foto legais.

medo

Desde que os acidentes aéreos começaram a ter maior frequência e as notícias de quase acidentes foram mais expostas na mídia, comecei a ficar medrosa e com receio de voar. Entretanto, morando longe dos meus pais e do meu namorado, é impossível não ter que enfrentar esse o medo. Quarta (14) foi mais uma vez que pensei que logo que o avião decolasse, tudo estaria ok e eu esqueceria essa aflição, mas dessa vez foi diferente. No voo de Porto Alegre até Guarulhos, enfrentamos uma pequena turbulência que pensei "ah, normal nessa época e com esse clima péssimo que anda aqui no sul", mas eu mal sabia que a situação ficaria pior. Chegando em Guarulhos enfrentei toda aquela fila para o check do passaporte e uma espera de pouco mais de meia hora para entrar no avião. Quando sentei na poltrona, já vi que era bem menos confortável que as da TAP ou Condor, o travesseiro e o cobertor também eram de baixa qualidade, assim como a tela e conteúdo oferecido na tv das poltronas. O avião decolou e a turbulência já começou nos primeiros minutos. Pensei que assim que saíssemos da costa, tudo ficaria mais tranquilo, como geralmente é, mas que nada, só piorava. Sobrevoando o oceano a situação ficou tensa, depois de 5 horas initerruptas (!!!) de tremeliques, chegou a vez em que eu realmente rezei e esperei a hora da morte. Não sei como explicar a intensidade daqueles minutos, mas pra que se tenha uma idéia, eu tive que me segurar pra não pular da poltrona e uma mulher ao meu lado chegou a gritar. O pior de tudo é que a tela mostrava que o piloto aumentava a velocidade e subia mais e mais o avião e eu, impressionada como sou, lembrei que um dos motivos da queda do avião da Air France foi esse, a forte turbulência e a subida brusca de altura, o que deixa o avião mais desestabilizado, ou seja, eu realmente pensei que seria notícia nos jornais mundiais do dia seguinte. Eu tremia como nunca na vida, aliás, o que é pior, eu nunca tremo, nunca suo nas mãos e todos esses sintomas de nervosismo que outras pessoas tem. Acho que se as máscaras de oxigênio tivessem caído, eu teria desmaiado e medo, e juro, acho que por pouco não caíram. Depois disso a turbulência não passou, mas diminuiu. Acho que ao todo, esse voo de quase 12 horas teve 1 ou 2 de tranquilidade, obviamente que interrompidas pelos tremeliques. Quando o avião estava pousando, pensei que logo isso tudo acabaria e que não teria passado de um susto, mas aí veio outro! O avião estava totalmente desestabilizado chegou a pousar meio de lado, não se explicar, não foi uma derrapagem, mas pouco antes de tocar o solo ele foi empurrado para o lado, o que também foi assustador. No fim, chegamos todos bem, uns com certeza mais traumatizados que outros, mas chegamos! O mais engraçado é que até o serviço de bordo da TAM foi péssimo, a comida era ruim e bem menos caprichada que dos meus outros voos internacionais, os comissários com pouco humor e fazendo piadinhas com os alemães fedorentos, que convenhamos, alguns são mesmo, mas cochichar e comentar com os outros passaheiros sobre isso pega muito mal.
Infelizmente meu voo de volta é por essa linha aérea, mas espero que eu não precise nunca mais voar pela TAM. Também espero que nunca ninguém passe pela angústia que eu passei.
Até logo!