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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

curiosidades: Os Taxistas

Aqui em Mumbai os táxis são extremamente baratos, o que faz com que as pessoas os utilizem o tempo todo. Rodando uma hora pela cidade é capaz de sair por 8 reais. O problema é que quando os taxistas veem turistas eles não enxergam um ser humano, mas sim uma nota de dólar ambulante com mochila nas costas, então, uma corrida que sairia normalmente 20 ou 30 rúpias, eles cobram 250 na cara de pau. Se pedirmos para usarem o taximetro muitos vão negar, então lá vamos nós mais uma vez tentar outro táxi. Quando um ou outro aceita usar o taxímetro é melhor tomar cuidado! Ainda não captei o sistema de bandeira 1 ou 2 por aqui, não existe um botão visível no taxímetro, mas já percebi que quando alguns taxistas trocam a marcha e sutilmente apertam em um botão, o valor quase triplica!! Esse é mais um dos estresses na Índia, precisamos tomar cuidado em qualquer situação para não sermos roubados. Dia desses estava indo me encontrar com Martin e aconteceu uma situação dessas, de 16 rúpias o taxímetro pulou para 40 e, quando questionei ao taxista ele deu uma risadinha sem graça "eh..hehe..pois é", mas acabei pagando 20 pela corrida. O melhor a fazer mesmo é pegar os taxis antigos que tem taximetros mais velhos e mais confiáveis pois o preço tem que ser conferido na tabela.
Outra situação engraçada é que várias vezes você fala ao taxista onde quer ir e ele simplesmente diz que não vai. Acontece o tempo todo!
Muitas vezes também, após uma loooonga conversa para combinar o preço, o taxista decide nos levar pelo valor X, mas quando chegamos no local ele diz "é X pra cada", hahaha, incrível! mas nessa nunca caímos, só rimos e vamos embora.
Nas outras cidades indianas que conhecemos, os preços, apesar de serem mais baratos que os do Brasil, ainda são mais altos que os de Mumbai. Os riquixás também seguem esse mesmo sistema de extorsão, portanto, é melhor ficar atento! Muitos motoristas também tentam oferecer uma visita a um bazar ou uma loja de um amigo, mas é melhor nunca aceitar pois, nessas lojas são cobrados preços absurdos e assim os motoristas ganham uma boa comissão.
Então, ao contrário do que muitos pensam, a Índia não é tão barata assim e sempre, sempre mesmo terá alguém tentando tirar muito dinheiro, principalmente de turistas.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Udaipur - city palace

O lago Pichola abraça Udaipur, mas este não surgiu naturalmente e sim pelos braços dos súditos do Maharaja Udai Singh que, em meados do século 16, resolveu criar um lago que banhasse os palácios.
Esta série de palácios começou a ser construída em 1559 e as picaretas só foram largadas no século 20, passando por 76 gerações.
Percebemos que em Udaipur as pessoas são bem mais tranquilas, não são insistentes como os de Maharashtra e nos dão mais espaço, aliás, entendam que em um país com mais de um bilhão de pessoas, espaço, silêncio e sossego passam longe.


Ao seguimos para o palácio, dois canhões à beira dos portões nos davam as boas vindas.


Mal havíamos cruzado as fronteiras e já nos deparamos com as impressionantes construções feitas por verdadeiros artistas que transformavam todo aquele material duro e rujo em minúcias. Muitas pinturas delicadas estão espalhadas pelas paredes e portões. Cavalos, camelos, elefantes e muitas flores serviram de inspiração.

Algumas lojinhas de souvenirs, um restaurante, um jardim com pequenos chafarizes e uma bela vista de Udaipur pode-se aproveitar antes de realmente colocar os pés no pátio do palácio.
Assim que entramos, seguimos pelos degraus rodeados de paredes estampadas com azulejos muito coloridos. Lendo e vendo um pouco da história do lugar, passeamos pelas salas, quartos e todos os aposentos que puderam ser-nos apresentados. Mais uma vez venho escrever a palavra delicadeza, acho que é a que mais se adéqua a esse lugar, assim como a riqueza de detalhes que muitas vezes confunde nossos olhos que se perdem ao meio de tantas novas cores, traços e formas. Infelizmente não temos fotos do interior do palácio, pois precisávamos pagar para entrar com as câmeras e decidimos guardar essas imagens na memória, além disso, vocês sabem, somos estudantes e as rúpias nos nossos bolsos precisam ser economizadas.


Nosso passeio pelo interior do palácio durou mais que uma hora, depois ainda descemos para outra parte do complexo que fica à beira do lago, onde há outra vista da cidade, também mais jardins e até um campo onde um time de críquete era super incentivado por uma torcida de meninos. Da beira pudemos ver os tons de laranja refletidos pelo sol no Jag Niwas, o palácio construído entre 1734 e 1751 como local de veraneio, mas que agora é um hotel e também serviu de filmagem para o filme do 007, Octopussy.
Depois dessa tarde fomos até um dos portões da cidade que dão acesso à uma das várias escadarias à beira do lago por lá espalhadas. Dividindo o espaço com alguns turistas, indianos e até vacas, vimos o sol se pôr.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

pausa para Neruda


Morre lentamente,
quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente,
quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.


Morre lentamente ,
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente,
quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente,
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e
os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente,
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece,
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.


Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.

Pablo Neruda

Udaipur e o templo Jagdish Mandir

Neste fim de semana viajamos até Udaipur, cidade que alguns devem conhecer pelo filme Octopussy do 007 (exibido diariamente em quase todos os bares da cidade), mas não é por isso que muitos turistas se movem até lá e sim pela fama que ela tem de ser a Veneza do Oriente.
Saímos de casa às 17h e pegamos um táxi até o lugar que deveríamos pegar o ônibus, levamos quase uma hora para chegar até lá. Aqui não existem rodoviárias, mas sim alguns pontos da cidade onde se reúnem várias agências de viagem, quiosques bem pequenos mesmo onde só há um funcionário e um computador. O problema é que o ônibus não tem lugar fixo para estacionar, aliás, ele não estaciona, simplesmente para onde consegue por um ou dois minutos, o passageiro mal coloca os pés pra dentro e já vai embora. Bem, por causa disso ficamos meio perdidos, além do atraso de meia hora do nosso ônibus.
Depois dessa primeira maratona só para conseguirmos entrar no ônibus, começa a tentativa de sair da cidade, levamos cerca de duas horas até chegar à estrada e, como o trânsito geralmente é caótico, então imaginem no fim da tarde o terror que é para um motorista.
Nossa viagem durou 16 horas e só paramos duas vezes para comer alguma coisa e ir ao banheiro. A paisagem que vimos da janela era linda, cheia de montanhas que eram cortadas pela estrada, campos e quase nenhum rio ou lago.
Chegamos quase meio dia em Udaipur e foi só pisar fora do ônibus que aquele monte de motoristas de riquixá voaram até nós oferecendo seus preços absurdos por uma corrida de 10 minutos até o centro. Chegavam a nos oferecer 100 rúpias, mas conseguimos por 40 o que em Mumbai seria 10 no máximo. Quando entramos no hotel vimos que ele ficava na beira do lago Pichola, romantismo puro, e tinha uma vista muito linda. Logo largamos nossas coisas, tomamos um banho e saímos para conhecer a cidade. Como Veneza, Udaipur é cheia de ruelas com subidas e descidas, becos onde os desatentos facilmente podem se perder.
A rua principal de Lal Ghat, bairro central da cidade, é cheia de lojinhas vendendo sáris super coloridos, lenços, tapetes, pequenas esculturas, muitas bolsas, agendas e sapatos de couro.

Na mesma rua está localizado o templo hindu Jagdish Mandir, que é dedicado ao Deus Vishnu, preservador do universo. Aos pés da escadaria, mulheres sentadas no chão vendem flores a serem oferecidas ao Deus e algumas vacas que por ali passeiam sempre são agraciadas com comida. Subindo todos esses degraus, vemos dois grandes elefantes de pedra, lindos.

Depois de deixar nossos chinelos na entrada, rodeamos o templo para ver os entalhes que quase parecem uma renda, dada sua a delicadeza composta por bailarinos, elefantes, cavaleiros, músicos, certamente hipnotizando a todos que observam.

Correndo por entre o templo, os vários esquilos sempre encontram comida farta, já que muitas das oferendas são grãos de milho ou arroz.

Quem não tem a mesma sorte são os mendigos, cegos e deficientes que ficam pedindo algumas rúpias, mas quando percebem que são estrangeiros que se aproximam, o valor triplica. Dentro do templo, no santuário, encontra-se uma imagem de pedra preta de Vishnu, muito calmo e sereno. O templo ainda tem o teto decorado e pilares delicadamente esculpidos.

O pináculo tem 79 metros de altura, então, sem dúvida, domina o horizonte de Udaipur. Este templo, construído por Maharana Jagat Singh no século 17 é uma obra prima, encantador, de uma tranquilidade infinita e certamente um presente à Udaipur.