Pegamos o riquixá e fomos até o sítio arqueológico de Ellora,no caminho até lá, que durou mais ou menos uma hora, eu quase enlouqueci de tantas coisas incríveis que meus olhos viam. Todas aquelas cores dos sáris, a força daquelas mulheres trabalhando arduamente para conseguir algumas rúpias, a incrível divisão de castas revelando aqueles homens jogados em um canto da rua trabalhando com couro, outros juntando com as mãos fezes de animais deixados pelo caminho e colocando em bacias enquanto carros luxuosos passavam por nós conduzidos pelos motoristas com seus donos que iam curtindo a paisagem no banco de trás. Vimos as primeiras vacas cruzando as ruas, os porcos e as cabras comendo o lixo espalhado, a natureza incrível que nos cercava, os montes, as plantações de algodão sendo cuidadas pelas mulheres, os caminhões super lotados de cana de açúcar que ultrapassavam nosso riquixá o tempo inteiro, os templos hindus pelo caminho e, finalmente, chegamos nas cavernas de Ellora.
Mal paramos o riquixá e muitos vendedores de cartões postais e tantos outros souvenirs vieram até nós insistir para que comprássemos qualquer coisa, digo insistir porque é assim que eles fazem, ficam falando muito enquanto andamos e não saem do nosso lado, é tão sufocante que às vezes é difícil controlar o humor.Ellora é um sítio arqueológico composto por 34 cavernas esculpidas e pedra. As cavernas 1 a 12 são budistas, 13 a 29 hinduístas e 30 a 34 são jainistas. A mais famosa é a 16, onde fica o Templo Kailasa que é a maior escultura do mundo feita a partir de uma única pedra. A caverna é realmente gigantesca e tem uma força incrível.
Enquanto explorávamos o lugar, entramos em uma parte que eu não sabia o que era, vi que algumas pessoas depositavam oferendas e rezavam e logo eu comecei a sentir uma energia tão forte que não sei exatamente como explicar, parece que o ar que eu respirava estava ficando sólido e de repente eu senti uma vontade absurda de chorar, mas ao mesmo tempo minha mente pensava que tudo o que eu sentia era absurdo e que eu nunca acreditei muito nessas energias que algumas pessoas falavam, mesmo sendo espírita, então, eu simplesmente comecei a chorar silenciosamente. Quando saímos perguntei ao Martin se ele sentiu a mudança do ar, a final poderia ser só pelo lugar fechado que eu havia sentido aquelas coisas, mas ele disse que não, que tudo estava normal. Quando perguntei a um guia o que era aquele lugar, ele disse que era onde estava Shiva, foi então que me deu um frio na barriga e uma tremedeira nas pernas, acho que foi a sensação mais incrível que já vivi. Infelizmente não sei mesmo como me expressar melhor e minhas palavras ainda são meio atrapalhadas, mas só sei que não esqueço o que aquilo significou para mim.Bom, depois de todas essas novas sensações, continuamos a caminhar pelas outras cavernas, a número 10 (Vishwakarma), tem uma enorme figura da Pregação de Buda entalhada sob um teto abobado, nesta, Buda está observando o nascer do Sol. As cavernas jainistas são as mais simples, a Indra Sabha possui esculturas de leões e elefantes nas paredes. Todo este complexo com as 34 cavernas ocupam cerca de 2km.
O surgimento e o crescimento da importância de Ellora coincidiram com o declínio do budismo e com a revitalização do hinduísmo. Ellora ficava em uma importante rota de comércio e foram esses lucros que financiaram os 500 anos de escavações.
Nossa visita a Ellora durou até as 17h, depois no caminho de volta paramos em Khuldabad (Morada Celestial), também chamado de Rauza,um complexo religioso criado por santos sufis no século 14 que era considerado tão sagrado que muitos sultçoes do Decã optaram por ser enterrados lá. De noite voltamos para o hotel e dormirmos, exaustos.
Nossa visita a Ellora durou até as 17h, depois no caminho de volta paramos em Khuldabad (Morada Celestial), também chamado de Rauza,um complexo religioso criado por santos sufis no século 14 que era considerado tão sagrado que muitos sultçoes do Decã optaram por ser enterrados lá. De noite voltamos para o hotel e dormirmos, exaustos.


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